©2019 by Dra. Paula Teixeira Mindful Eating e Autocompaixão.
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  • Paula Teixeira

Mindful Eating na Diabetes- Texto produzido e publicado para o Centro Brasileiro de Mindful Eating


“Diabetes é tanto uma doença emocional como é metabólica. O tratamento bem sucedido implica trabalhar com o conjunto total de comportamentos de saúde.” American Diabetes Association.

Mais de 16 milhões de brasileiros adultos (8,1%) sofrem de diabetes e a doença mata 72 mil pessoas por ano no Brasil, segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A prevalência da diabetes quase duplicou de 4,7% para 8,5% na população adulta, o que reflete um aumento dos fatores de risco associados, como o excesso de peso, a obesidade e a inatividade física.


MINDFUL EATING E DIABETES

A alimentação é um componente importante de qualquer plano de gerenciamento de diabetes, consequentemente, as pessoas acometidas por essa doença passam muito tempo aprendendo sobre recomendações alimentares, ao descobrir como diferentes alimentos afetam seus níveis de glicose no sangue ao longo do dia.


No entanto, além de ajustar o que você come para gerenciar seu diabetes, pode ser igualmente útil mudar a forma como você come. E é sobre isso que iremos falar hoje.


Certos hábitos como comer rapidamente sem realmente saborear o alimento ou comer enquanto fazemos outras atividades, influencia não só no que você come, mas também o quanto você come. Comer consciente por outro lado, pode ajudá-lo a ganhar comando sobre o quê, quanto e por que você come.


Você provavelmente conhece a cena: dia difícil, muito difícil…surge um pensamento “preciso de um doce” ou ainda aquela visita ao supermercado no final do dia que rende no carrinho de compras alimentos que você não planejava comer, aliás um monte deles.


O estilo de vida estressante cria problemas com a comida para a maioria de nós e, sem contar os diversos impactos negativos do estresse na saúde. O simples fato de praticar meditação desencadeia a diminuição do estresse e de hormônios do estresse, como o cortisol, que sabidamente está ligado a gordura abdominal e ao aumento da resistência insulínica. Somado a isso, observa-se melhora da flexibilidade psicológica o que confere a habilidade de melhor gerenciar os desafios do dia a dia.


Imagine você que estamos falando aqui que ao se sentar e prestar atenção na sua respiração, isso pode te ajuda e diminuir seus índices glicêmicos, sua circunferência abdominal e através dessa prática, segundo estes estudos, nasce dentro de você uma vontade genuína de comer melhor e ser mais ativo.



DIABETES, DEPRESSÃO E NÃO ACEITAÇÃO

Uma grande parte dos pacientes que acompanho hoje com essa doença apresentam a conhecida associação: depressão e diabetes. No consultório, relatam a experiência de viver sem aceitar esse diagnóstico.

Procuram diversos profissionais em busca de segundas opiniões, refazem os exames e até mesmo abandonam o acompanhamento por não conseguirem lidar com esse desafio naquele momento.

Definitivamente receber esse diagnóstico não é nada fácil, sendo desafiador aceitar e poder implementar as mudanças necessárias para conviver bem com essa condição. Eu gostaria poder dizer a essas pessoas que aceitar o diagnóstico da diabetes não é o mesmo que se resignar. No entanto, transcender o primeiro momento de luta após o diagnóstico é o caminho mais curto para passar da pergunta “Porque eu?” para “como posso me cuidar?”.



Somente ao se aproximar de maneira gentil desse problema é que poderemos olhar e entender cada um dos aspectos da doença. Essa aproximação pode nos fazer compreender os sentimentos, pensamentos e sensações que se vivencia no momento e assim assumir novamente o comando da saúde.

Quando recebemos um diagnóstico desafiador nos sentimos vendidos e de mãos atadas frente a um problema que não conhecemos, não entendemos e AINDA não temos recursos para lidar. O normal é ter medo e insegurança e frisando a palavra ainda, pois é totalmente possível ter uma vida significativa mesmo com diabetes.

O Mindfulness propicia o desenvolvimento da aceitação e autocompaixão, na qual eu sei que meu sofrimento está presente, e também o senso de humanidade, já que reconheço que assim como eu, muitos compartilhar o sofrimento.

A ciência tem demonstrado que cultivar a atenção plena através de programas baseados em Mindfulness impactam positivamente a hemoglobina A1C (HbA1C), medida de controle de glicose no sangue. Um estudo revelou que após um ano, os indivíduos com diabetes tipo 2, que foram submetidos ao mesmo programa de Mindfulness e praticavam diariamente a meditação, mantiveram seu nível de HbA1C, no entanto, aqueles que não praticavam, apresentaram um aumento médio de HbA1C de quase 0,5%. (Estudo intitulado “Heidelberger Diabetes and Stress-Study”).

Por outro lado, uma pesquisa publicada em 2007 na revista “Alternative Therapies” observou uma queda na HbA1C de quase 0,5% naqueles que praticavam técnicas baseadas em Mindfulness. É importante ressaltar que essas pessoas não mudaram suas dietas, nível de atividade física ou regime de medicação durante o estudo, assim, as quedas de HbA1C foram atribuídas unicamente à sua prática de meditação regular. Embora as alterações observadas em HbA1C nestes estudos sejam pequenas, vale ressaltar que mesmo pequenas reduções nessa medida pode reduzir o risco de complicações do diabetes.

O estudo chamado “Kindness matters: a randomized controlled trial of a mindful self- compassion intervention” demonstrou que praticas de mindfulness e compaixão melhoram a depressão, o estresse percebido e a Hemoglobina Glicada.


E NA PRÁTICA?




1) Acolha seu sofrimento, acolha seu corpo que está tentando fazer o melhor possível para manter vocês bem. Aceite o momento de agora para então ter saúde mental para fazer o que está em seu controle: comer melhor, cuidar de si, ser mais ativo e aprender a gerenciar o estresse. Vocês vão passar por essa fase e vão ficar bem. Cultive o desejo de bons votos de saúde e bem estar para si mesmo, deseje a si votos de pacificar seus pensamentos e sentimentos. Pode parecer auto ajuda, não é? Mas os estudos demonstram que esse tipo de responsabilização compassiva ajuda mais na mudança de comportamentos alimentares do que ser muito duro consigo mesmo.


2) Escolha um momento do dia para sentar por alguns minutos e fazer uma prática de Mindfulness. Sendo que a partir de 20 minutos ao dia você já irá colher os benefícios metabólicos e comportamentais da meditação, incluindo a diminuição dos episódios de comer pelo estresse.


3) Cultive a atenção plena durante as refeições. Aproveite cada alimento de maneira única. Desfrute da sua alimentação saudável de verdade, livre de sentimentos de privação ou restrição. Na verdade a alimentação de um diabético não tem nada de diferente do que é uma alimentação mais consciente preconiza: menor consumo de industrializados, açúcar como exceção e não regra, privilégio dos alimentos naturais e verdadeiros como legumes e vegetais, moderação na quantidade ingerida de comida e de gorduras boas.


4) Encontre alegria em mover seu corpo outra vez com atividades que te tragam prazer.


5) Prestar atenção também irá aumentar a sua consciência de seus padrões alimentares atuais e, ajudá-lo a identificar os hábitos que você pode mudar. Com o passar do tempo, mesmo pequenas mudanças na maneira como você prepara, serve e consome suas refeições pode levar a grandes melhorias na gestão da glicemia e controle do diabetes. Os programas de Mindfulness para a diabetes prove um suporte a mais para ajudar no manejo dessa doença e inclui estratégias para lidar com o estresse, questões emocionais, bem como a modificação de comportamento. Ajudando os pacientes a se ajustarem há uma nova maneira de cuidar da saúde após esse diagnóstico e oferecendo compreensão e motivação para criar uma nova vida mais satisfatória além do diabetes.


Escrito por Paula Teixeira


Revisado por Driele Quinhoneiro


Referências:

http://mindfuleatingbrasil.com.br


“Associations of Mindfulness with Glucose Regulation and Diabetes” acessado em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26931758

“Associations of Dispositional Mindfulness with Obesity and Central Adiposity: the New England Family Study” acessado em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26931758

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